Pátria, Mater

27 de outubro de 2010 § Deixe um comentário


(Autumn, from my window/ Outono, da minha janela)

But who was she really? Unlike my father, whose general solidity and lapidary pronouncements were a known and stable quantity, my mother was energy itself, in everything, all over the house and our lives, ceaselessly probing, judging, sweeping all of us, plus our clothes, rooms, hidden vices, achievements, and problems into her always expanding orbit. But there was no common emotional space. Instead there were bilateral relationships with my mother, as colony to metropole, a constellation only she could see as a whole.

Mas quem era ela na verdade? Ao contrário do meu pai, cujos pronunciamentos lapidários e solidez usual eram de uma quantidade familiar e estável, a minha mãe era a energia em pessoa, em tudo: por toda a casa e as nossas vidas, incessantemente sondando, julgando, a varrer sobre nós, e também as nossas roupas, os nossos quartos, vícios secretos, os nossos problemas e façanhas para dentro da sua órbita, sempre em expansão. Mas não havia um espaço emocional em comum. Em vez disso, o que havia eram relações bilaterais com a minha mãe, como as da colônia com a metrópole, uma constelação que apenas ela era capaz de enxergar como um todo.

(Edward W. Said, in: Out of Place: A Memoir)

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Eu e o Kindle

26 de outubro de 2010 § 2 Comentários

Desde que vi uma moça no trem de Londres a Windsor com um Kindle protegido por uma capa de couro vermelha, que o desejo não me deixou em paz.
Tenho minhas questões quanto a uma digitalização em massa da literatura, mas acho mesmo que o livro eletrônico representa uma grande revolução, um ponto de virada.
As minhas primeiras impressões quanto ao novo “brinquedo”:

1- É low-tech, portanto, nada intrusivo durante a leitura. Há, sim, uma conexão sem fio para uma navegação básica da Internet, mas o Kindle não é um tablet, apenas um e-reader.
2- É low-tech, mas um gadget inteligente. Com dois dicionários Oxford embutidos, permite a consulta a verbetes durante a leitura, sem sair da página. Basta mover o cursor.
3- A tecnologia da e-ink [tinta eletrônica] faz com que a leitura seja aprazível aos olhos, sem cansar. A tela é como a página de um livro.
4- Ter vários títulos num único sítio é maravilhoso para quem, como eu, gosta de ler livros diferentes ao mesmo tempo. E ele marca a última página lida automaticamente.
5- O Kindle permite sublinhados e anotações, outra maravilha.
6- Os clássicos da literatura em inglês são quase todos gratuitos. Basta ir à página da Amazon, e pronto: Jane Austen no seu hard drive, em menos de um minuto, de qualquer lugar do mundo. E, por alguns pence, Machado de Assis também.
7- As páginas da Internet podem ser lidas numa interface modo “artigo” – as colunas se ajustam ao tamanho da tela. Ou seja, a leitura de longos artigos jornalísticos e de blogs nunca foi tão confortável.
8- E, finalmente, além de não ser um tablet, o Kindle não tem relógio na página principal – pelo menos na configuração da fábrica, ele aparece na mudança de menus, mas some logo depois. O que, novamente, enfatiza essa experiência paradoxalmente orgânica da leitura.

Da viagem

26 de outubro de 2010 § 4 Comentários


(Cascais, Portugal, June 2010/ Junho de 2010)

“Do início até o último porto, só interessa a viagem: às vezes tem tempestade, ondas enormes cobrem o barco; depois vem a calmaria e podemos desfrutar de um horizonte claro. Mas se durante essa travessia a gente prosseguir desejando o bom, o belo e o verdadeiro, então tudo terá valido a pena.”
Lygia Fagundes Telles

Transmedia

8 de outubro de 2010 § Deixe um comentário

In Transmedia storytelling, content becomes invasive and fully permeates the audience’s lifestyle. A transmedia project develops storytelling across multiple forms of media in order to have different “entry points” in the story; entry-points with a unique and independent lifespan but with a definite role in the big narrative scheme.” (In: Wikipedia)

“Na narração de histórias que se utiliza de recursos de transmídia, o conteúdo se torna invasivo, permeando completamente o estilo de vida do público. Um projeto de transmídia desenvolve a narração em múltiplos formatos de mídia a fim de obter diferentes “pontos de entrada” na história: pontos estes de longevidades únicas e independentes, mas com um papel definido no grande esquema narrativo.” (tradução livre)

Nelson, Coupland and Alice (by IDEO):

O fim do mundo como o conhecemos

7 de outubro de 2010 § 2 Comentários


Com a Feira de Frankfurt a todo vapor, mais do que nunca está em pauta a discussão sobre o futuro da literatura e o impacto do e-book nos rumos do mercado e naqueles que atualmente compõem a sua estrutura. Uma matéria do jornal britânico Independent de hoje discute mais a fundo alguns dos pontos que mencionei em meu post “O Futuro da Leitura: algumas questões”.
A propósito: o trocadilho do título (The end of the word as we know it/ The end of the world as we know it) é uma dessas impossibilidades de transposição tradutória – pelo menos num primeiro momento.
+++
Ontem, finalmente adquiri um Kindle. Tenho uma lista de motivos para justificar a minha aquisição – e não, não pretendo manter toda a minha biblioteca num dispositivo eletrônico. Assim que ele chegar, falarei mais.

Déjà-vu

2 de outubro de 2010 § 2 Comentários

Há cerca de três semanas, tirei esta foto com o celular (o efeito também adicionado no telefone):

Anteontem, numa busca por “conceitos japoneses” de fotografia, cheguei a esta imagem:

Este déjà-vu com ideias nipônicas tem sido recorrente, e não é de hoje: na forma de sonhos, em escolhas estéticas, em memórias deslocadas.

Uma mistura de wabi-sabi e ikebana.

Onde estou?

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