Outono, 2017

17 de outubro de 2017 § Deixe um comentário

Voltei para a cidade e agora não estou tão exilada. Já faz um tempo, mas percebi que sou uma eterna autoexilada, pois já não há casa mais para a qual voltar. Há casas e cada uma está numa coordenada; se as ligasse umas às outras, acabaria com uma sucessão de traços que não formariam uma figura geométrica reconhecível – não há ciclo completo, só perplexidades.

Ando por aqui à procura de um caminho, de um lugar. O ambiente físico me consola, mas estranho-o, já não parece mais de quem mora aqui, mas, sim, de quem está de passagem. Como tantos lugares belos, virou uma espécie de parque de diversões não vertiginoso para os desocupados ou para os que estão sem bússola interna.

Gosto do outono porque ele é uma desaceleração da indulgência antes do solstício do exagero e o retorno à vida que se convencionou chamar de normal, de expectativas mais ou menos manejáveis.  A cidade acalma-se um pouco, embora este ano os arredores estejam, tragicamente, a arder.

A luz é bela, as minhas cores favoritas se revelam.

 

 

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